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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Descoberta do ano


Terapeutas também morrem.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Direto do túnel do tempo.

Uma vez, meu irmão era bem pequeno - uns três aninhos, coisa assim - e minha mãe foi buscá-lo na escola. Todas as crianças saíam e nada do pequeno Fred aparecer. Depois que não tinha mais criança nenhuma para sair, minha mãe olhou lá dentro e meu irmão - que ainda não era irmão de ninguém, pois ela ainda estava grávida de mim - estava sentado numa cadeirinha, sem roupa, um tanto quanto encolhido e assustado.

Obviamente assustada, D. Rose entrou na escola, pegou a criança e foi saber com a professora o que tinha acontecido e ela explicou: Ele teve uma diarréia e fez cocô na calça. Ao ser questionada sobre o motivo que teria impulsionado o fato de a moça ignorar completamente a muda de roupa limpa que ele levava todo dia na mochila, a moça não conseguiu disfarçar que a resposta era simples: nojo. Ela teve nojo de limpar o menino e trocar sua roupa.

Mami pegou o Fred no colo, ligou para o papi e tiraram rapidamente o então pequeno Fred da escola.

Depois de pesquisarem bastante, visitar outras escolas, encontraram uma que parecia ser muito bacana e confiaram a ponto de matricular o mini-menino por lá.

Chegou então o dia de levar o Frederico para conhecer seu novo ambiente e ele tinha todos os motivos do mundo para desconfiar de tudo.

Foi aí que, chegando lá, minha mãe mostrou a varanda e o apresentou à professora:

Fred, essa é a Elaine, sua nova professora!

Elaine abriu um sorrisão para o Fred e disse:

Oi, Fred!

Foi aí que o Fred olhou bem pra ela, abaixou as calças e fez um cocozão ali, no meio da varanda. E olhou de novo para a Elaine, bem sério.

E antes que D. Rose pudesse pensar em ficar sem graça, a nova professora mostrou que ali poderia ser o lugar dele.

Opa, fez cocô! Vamos lá pra eu te limpar?

Frederico, desconfiado, olhou pra ela e perguntou se ela ia realmente limpá-lo.

Claro que vou!

Aí o Fred deu a mão para a Elaine e ficou a manhã toda na escola. Nem precisou de período de adaptação.

*

Quantas vezes na vida a gente pode ter três anos de idade depois que se tem 28?

domingo, 26 de outubro de 2008

Post a esmo.

Pela primeira vez eu sentia algumas coisas e sentir coisas pela primeira vez costuma ser uma senhora duma primeira vez.

Tem primeiro beijo, primeira transa, primeira menstruação, primeiro dia de aula, primeiro dia de trabalho novo, tem primeiro último, primeiro segundo, e tem primeira sensação de morte, primeira vontade de ficar junto diferente, e alguns desses primeiros têm me perseguido de maneira intensa esses últimos anos.

A tendência é eu acabar me sentindo meio idiota, meio "corpo-grande-em-cabeça-pequena", mas a verdade é que eu acabei vivendo algumas coisas já meio depois do entardecer, se é que vocês me entendem.

As primeiras sensações de liberdade me vieram com alguns anos a mais e elas eram tão bobas que muitas vezes me envergonhava quando era flagrada dando alguma bandeira de felicidade por poder estar tão obviamente solta em alguma situação banal.

(No filme invasões bárbaras, a moça fala da sensação da heroína e da importância da primeira vez, que é atrás dessa sensação que vem as segundas e terceitas vezes, ainda que em vão. )

terça-feira, 21 de outubro de 2008

.desabafo, ainda que pela metade.

Na veia!
Pena não poder desenvolver o assunto.
Chamem-me para um chopp; eu só falo sem registros.

=)

Porque hoje está um dia lindo.

Verei, verás, veremos, verão.
Primavera, outono, inverno...

Ver, veres, visto, verdes.
Amarelos, vermelhos, azuis...

(E às sete da noite ainda tem sol.)

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Terapia da Palavra

Agora eu escrevo tudo.

Estou cansada, pego o caderno, vou lá na última página e escrevo "estou cansada".

Eu te amo? Alcanço o lápis na bancada e escrevo atrás do post it com telefone de dentista "eu te amo".

Ando assim, desabafando comigo mesma, com a Bia e com a Lelê, através das teclas, do grafite, da caneta e até do vidro embaçado do blindex, durante o banho.

Desabafei assim hoje, através do papel do maiolino, com a moça do ônibus.

entrei no onibus e pedi licença pra senhorinha que tava sentada no corredor. gosto de sentar na janela e do lado direito do ônibus, pra ver as pessoas nos outros pontos, ver a calçada. a coluna esquerda estava super vazia e quando eu pedi licença pra moça ela apontou o outro lado do ônibus, mostrando que estava vazio. falei que eu cismo com a janela da direita e ela falou então faz assim, deixa que eu saio daqui e você senta na sua janela. eu falei ok, obrigada. aí ela levantou falando super alto onde já se viu! ela cisma com a janela! passaram uns três pontos e ela ficava falando sozinha já que ela cisma, né! cismou com a janela! eu escrevi um bilhetinho pra ela e entreguei quando desci do ônibus. tava assim o bilhete: "Continue assim, expondo ao ridículo as pessoas por quem você passa. No mundo em que vivemos, pessoas intolerantes são as que ganham muito dinheiro. Torço por você e para que um dia, pare de fugir do vento".