Pequena Carol, aos 4 anos, para sua mãe:
Não vou casar nunca, mãe.
A mãe já olha para cima pensando que 'lá vem...'
Por que, minha filha?
Pequena Carol tava doida pra explicar:
Ah, é porque quando chega o aniversário do filho, a mãe trabalha o dia todo, desde cedo, arruma a mesa, a casa, faz comida e o pai tá lá. Descansando, não tá nem aí. Aí, quando chega a hora da festa, a mãe tá cansada de tanto trabalhar e o pai chega de banho tomado, cheirosinho, rindo pra todo mundo.
Pobre mãe.
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terça-feira, 16 de junho de 2009
domingo, 2 de novembro de 2008
Babá Vera.
Meu irmão tinha uma babá chamada Vera.
Um dia, a Vera pediu demissão e o Fred ficou deprimido. Minha mãe jurou que nunca mais nem o Fred nem o outro filho que viesse - no caso, eu - teria babá, porque quase morria quando via o Fred apontando pra boneca que aparecia no livro que ele gostava de folhear e chamando "Béa".
Depois de uns anos, ele até entendeu o que é pedir demissão, o que era trabalho, mas vai dizer isso pra dor que ficou ali dentro!
Um dia, a Vera pediu demissão e o Fred ficou deprimido. Minha mãe jurou que nunca mais nem o Fred nem o outro filho que viesse - no caso, eu - teria babá, porque quase morria quando via o Fred apontando pra boneca que aparecia no livro que ele gostava de folhear e chamando "Béa".
Depois de uns anos, ele até entendeu o que é pedir demissão, o que era trabalho, mas vai dizer isso pra dor que ficou ali dentro!
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Direto do túnel do tempo.
Uma vez, meu irmão era bem pequeno - uns três aninhos, coisa assim - e minha mãe foi buscá-lo na escola. Todas as crianças saíam e nada do pequeno Fred aparecer. Depois que não tinha mais criança nenhuma para sair, minha mãe olhou lá dentro e meu irmão - que ainda não era irmão de ninguém, pois ela ainda estava grávida de mim - estava sentado numa cadeirinha, sem roupa, um tanto quanto encolhido e assustado.
Obviamente assustada, D. Rose entrou na escola, pegou a criança e foi saber com a professora o que tinha acontecido e ela explicou: Ele teve uma diarréia e fez cocô na calça. Ao ser questionada sobre o motivo que teria impulsionado o fato de a moça ignorar completamente a muda de roupa limpa que ele levava todo dia na mochila, a moça não conseguiu disfarçar que a resposta era simples: nojo. Ela teve nojo de limpar o menino e trocar sua roupa.
Mami pegou o Fred no colo, ligou para o papi e tiraram rapidamente o então pequeno Fred da escola.
Depois de pesquisarem bastante, visitar outras escolas, encontraram uma que parecia ser muito bacana e confiaram a ponto de matricular o mini-menino por lá.
Chegou então o dia de levar o Frederico para conhecer seu novo ambiente e ele tinha todos os motivos do mundo para desconfiar de tudo.
Foi aí que, chegando lá, minha mãe mostrou a varanda e o apresentou à professora:
E antes que D. Rose pudesse pensar em ficar sem graça, a nova professora mostrou que ali poderia ser o lugar dele.
Frederico, desconfiado, olhou pra ela e perguntou se ela ia realmente limpá-lo.
Aí o Fred deu a mão para a Elaine e ficou a manhã toda na escola. Nem precisou de período de adaptação.
Obviamente assustada, D. Rose entrou na escola, pegou a criança e foi saber com a professora o que tinha acontecido e ela explicou: Ele teve uma diarréia e fez cocô na calça. Ao ser questionada sobre o motivo que teria impulsionado o fato de a moça ignorar completamente a muda de roupa limpa que ele levava todo dia na mochila, a moça não conseguiu disfarçar que a resposta era simples: nojo. Ela teve nojo de limpar o menino e trocar sua roupa.
Mami pegou o Fred no colo, ligou para o papi e tiraram rapidamente o então pequeno Fred da escola.
Depois de pesquisarem bastante, visitar outras escolas, encontraram uma que parecia ser muito bacana e confiaram a ponto de matricular o mini-menino por lá.
Chegou então o dia de levar o Frederico para conhecer seu novo ambiente e ele tinha todos os motivos do mundo para desconfiar de tudo.
Foi aí que, chegando lá, minha mãe mostrou a varanda e o apresentou à professora:
Fred, essa é a Elaine, sua nova professora!
Elaine abriu um sorrisão para o Fred e disse:Oi, Fred!
Foi aí que o Fred olhou bem pra ela, abaixou as calças e fez um cocozão ali, no meio da varanda. E olhou de novo para a Elaine, bem sério.E antes que D. Rose pudesse pensar em ficar sem graça, a nova professora mostrou que ali poderia ser o lugar dele.
Opa, fez cocô! Vamos lá pra eu te limpar?
Frederico, desconfiado, olhou pra ela e perguntou se ela ia realmente limpá-lo.
Claro que vou!
Aí o Fred deu a mão para a Elaine e ficou a manhã toda na escola. Nem precisou de período de adaptação.
*
Quantas vezes na vida a gente pode ter três anos de idade depois que já se tem 28?
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Meu primeiro fim do mundo
Tinha o Fabinho, lá do prédio da minha vó. Ele achava que eu ficava com um monte de meninos nas festas, beijava dois, três, quatro numa noite só. Mas a verdade era que eu não tinha beijado ninguém. Nunca. E tava doida pra dar uns beijos nele. Fabinho ficava com Rafaela, minha amiga lá do prédio da minha vó também. Ela gostava dele e ele não tava mais curtindo ela - eu sabia, ela não. E eu doida pra ficar com ele, pedindo pra Rafa não contar pra ele que eu nunca tinha beijado alguém. E todo fim de semana eu ia para o play de Dona Déa flertar com o rapaz, contando as inúmeras e falsas peripécias vividas por mim nas matinês da Zona Sul. Num desses fins de semana, meus pais inventaram de ir para um hotel fazenda. Oh god. O fim do mundo era não estar no play no sábado nem no domingo: Fabio e Rafaela ficariam sozinhos! E se ele mudar de idéia? E se ela se jogar nos braços dele? - é claro que eu achava a Rafa atiradinha demais... - Falei com a Tatá, outra amiga do prédio, pra ela ficar de olho e me contar tudo, não importava a má notícia! Não filtre nenhuma informação, Tatá!
Em 1992, os celulares praticamente não existiam nos lares do Grajaú e o fim de semana andando a cavalo e tomando banho de piscina foi doído, tomado de dores de ansiedade e pesadelos. O que estaria acontecendo por lá? No sábado tinha festa no play e eles ficariam por lá até bem mais tarde do que as 22:00 habituais, quando as luzes eram desligadas e a gente subia pra casa.
Domingo à noite a gente voltou para casa e eu já pedi que meus pais me deixassem no prédio da minha vó. Toquei na casa da Tatá e ela já saiu rindo.
- Carol, tu não sabe.
- Eles ficaram na festa, né?
- Que nada... foi um barraco...
-...
- Ele veio com uma menina pra festa! Uma tal de Júlia. Quando a Rafa viu, foi lá tirar satisfações.
- O Fabio veio com uma menina...
- Horrorosa, Carol. Tinha que ver.
- Com uma menina???
- Eles tavam lá atrás e a Rafa chegou gritando que ele tinha que se resolver, que ela gostava dele e perguntou se ele queria que ela se vestisse de Carol pra ele gostar dela e ele disse que ela podia roubar seu guarda-roupa, que nunca ficaria igual a você.
- Mas ele tava com uma menina, né?
- Tava.
- E ela ouviu tudo?
- Ouviu.
- E aí?
- Ah, riu da Rafa. E eles ficaram, acho que ela não ligou muito não...
- Ele ficou com a menina...
- Ficou.
- E você, como foi a viagem?
- Foi boa. Fiquei com um americano no hotel.
- Jura?
- Foi. Tatá, vou pra casa, tô cansadona.
MiniCarol liga para Fabinho e pergunta quem é Julia.
"É uma menina da minha escola. Tô gostando dela."
MiniCarol, cada vez mais mini, pergunta se eles vão namorar.
"Acho que sim. Ela ficou de pensar. Soube da vergonha que a Rafa me fez passar?"
MiniMicroCarol respondeu que não sabia de nada e perguntou o que aconteceu?
"Ela tá morrendo de ciúme, achando que a gente tava ficando. Falei que você é melhor que ela. Ela perguntou se eu queria que ela se vestisse igual a você pra eu gostar dela e eu disse que não ia adiantar, que ela nunca ia ser igual a você."
MiniMicroCarol simula uma gargalhada e deseja boa sorte a ele no novo namoro.
"Obrigado, Carol. Beijo."
Outro.
Em 1992, os celulares praticamente não existiam nos lares do Grajaú e o fim de semana andando a cavalo e tomando banho de piscina foi doído, tomado de dores de ansiedade e pesadelos. O que estaria acontecendo por lá? No sábado tinha festa no play e eles ficariam por lá até bem mais tarde do que as 22:00 habituais, quando as luzes eram desligadas e a gente subia pra casa.
Domingo à noite a gente voltou para casa e eu já pedi que meus pais me deixassem no prédio da minha vó. Toquei na casa da Tatá e ela já saiu rindo.
- Carol, tu não sabe.
- Eles ficaram na festa, né?
- Que nada... foi um barraco...
-...
- Ele veio com uma menina pra festa! Uma tal de Júlia. Quando a Rafa viu, foi lá tirar satisfações.
- O Fabio veio com uma menina...
- Horrorosa, Carol. Tinha que ver.
- Com uma menina???
- Eles tavam lá atrás e a Rafa chegou gritando que ele tinha que se resolver, que ela gostava dele e perguntou se ele queria que ela se vestisse de Carol pra ele gostar dela e ele disse que ela podia roubar seu guarda-roupa, que nunca ficaria igual a você.
- Mas ele tava com uma menina, né?
- Tava.
- E ela ouviu tudo?
- Ouviu.
- E aí?
- Ah, riu da Rafa. E eles ficaram, acho que ela não ligou muito não...
- Ele ficou com a menina...
- Ficou.
- E você, como foi a viagem?
- Foi boa. Fiquei com um americano no hotel.
- Jura?
- Foi. Tatá, vou pra casa, tô cansadona.
MiniCarol liga para Fabinho e pergunta quem é Julia.
"É uma menina da minha escola. Tô gostando dela."
MiniCarol, cada vez mais mini, pergunta se eles vão namorar.
"Acho que sim. Ela ficou de pensar. Soube da vergonha que a Rafa me fez passar?"
MiniMicroCarol respondeu que não sabia de nada e perguntou o que aconteceu?
"Ela tá morrendo de ciúme, achando que a gente tava ficando. Falei que você é melhor que ela. Ela perguntou se eu queria que ela se vestisse igual a você pra eu gostar dela e eu disse que não ia adiantar, que ela nunca ia ser igual a você."
MiniMicroCarol simula uma gargalhada e deseja boa sorte a ele no novo namoro.
"Obrigado, Carol. Beijo."
Outro.
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