terça-feira, 16 de junho de 2009

Pequena Carol

Pequena Carol, aos 4 anos, para sua mãe:

Não vou casar nunca, mãe.

A mãe já olha para cima pensando que 'lá vem...'

Por que, minha filha?

Pequena Carol tava doida pra explicar:

Ah, é porque quando chega o aniversário do filho, a mãe trabalha o dia todo, desde cedo, arruma a mesa, a casa, faz comida e o pai tá lá. Descansando, não tá nem aí. Aí, quando chega a hora da festa, a mãe tá cansada de tanto trabalhar e o pai chega de banho tomado, cheirosinho, rindo pra todo mundo.

Pobre mãe.

Peneira zen

Ontem levei as primeiras agulhadas da minha vida: no cangote, na testa e na barriga.

O oriental disse que eu preciso ficar quieta, nem que seja uma hora antes de dormir. Desligar, ele disse. Falou das minhas disfunções energéticas: É, teremos bastante coisa pra trabalhar aqui...

Levei uns apertões também, umas estaladas, umas coçadas na cabeça.

A-d-o-r-o.

Virarei uma peneirinha zen.

Amém!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

...por metro quadrado

A cada portaria eu penso se aquele rosto será minha rotina daqui a um ou dois meses.

Esperar, nesse caso, é bom, até.
Já vou sacando quem poderão ser meus próximos vizinhos e torço o nariz ao ver que saiu uma senhora com um cachorro, de dentro do elevador.

Olho em volta no elevador, lendo os avisos com atenção. Serão esses meus próximos avisos? Porta pantográfica, quem diria. Morro de medo de portas pantográficas!

A porta do apartamento não tem nada de familiar: o espaço, lá dentro, está vazio, oco, com cara de ninguém, com marca nenhuma, mas eu já me vejo. Às vezes, eu não consigo ver nada meu lá dentro: aí eu já sei que não estarei por ali daqui a um mês ou dois.

Minha cama, minha poltroninha, meu sofá. Geladeira, fogão, eu toda lá dentro, dormindo, vendo tv, deixando o telefone tocar sem atender, pois estou na onda de ficar comigo mesmo, fazendo um sanduiche... vivendo ali.

Ali, seja qual for o lugar, será que eu já vi, ainda está por vir o anúncio que chamará para o meu cantinho?

Ao mesmo tempo, o meu espaço está no mesmo lugar, num certo clima de despedida e incertezas que, como sempre, estão mais juntas de mim do que as pintas do meu rosto. Mas sem elas, o que seria do friozinho na barriga...?

Que venha o que está por vir, já que eu bem sei que meu cantinho tá bem guardado, em algum cantinho dessa cidade!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

The Secret.

Um dia de lua, uma noite quente. Um sorriso, brinde de chopp, churrasco no terraço, abraço nas amigas. Um amor mão-dupla, uma casinha de vila, aluguel no bolso, duas horas de almoço. Viver com pouco, o tal do pouco suficiente, amar sempre, ser feliz amando. Como é bom. Ouvir a música, dançar por ela, dançar sozinha, dançar na sala, juntar bochecha. Tomar café da manhã, cozinhar a janta. Café da manhã na janela. Vê-lo dormindo. Como é bom. Cantarolar baixinho enquanto lava a louça. Andar na praia cedinho, de casaco. Acender uma vela, lavar a rúcula. Sexo na rede, na cama, no chão, no chuveiro. Sexo oral, dormir junto, acordar amassada. Sueca, truco, buraco de duplas. Gamão. Chopp com colarinho, cerveja original gelada. Pastel de costela, caldinho de feijão. Verde, Azul, Vermelho, Laranja. Uva. Meia calça, vento na janela do ônibus. Abraços, cafunés, chamegos. Nhém nhém nhéns.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Chove, chuva...

Depois de perder a hora e precisar me arrumar no [The Flash - mode on], não acho o guarda-chuva e saio sem ele.
Compro um quando descer do ônibus, pois sempre tem um ambulante oferecendo.

Do meio para o fim da Nossa Senhora, o céu caiu com força. Ufa, vai dar tempo da chuva estiar até chegar no Centro.

Mas foi tipo eu&chuvajuntinhasassim, indo em direção à 1o. de março. Desci eu e mais quatrocentos e cinquenta e oito gotas pesadas de chuva e não tinha nenhum ambulante me esperando.

Segurei a onda debaixo de um toldo para ver quem chegava primeiro - se o ambulante ou a redução da queda d'água.
Nem um, nem outro.

Tô uma eca.


Daí eu vi como estou bem. Em alguns momentos achava engraçada a minha situação e ria. Meu humor não se abalou. Foi bom ter dormido bem durante o fim de semana.

Tecla SAP

Quando a moça diz...
Kisses all over you.


...é pro moço ler...
Kisses, I love you.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Pra mim, foi inédito.

E não é que o motorista do 125 parou fora do ponto para um velhinho que fez sinal e só andou com o ônibus depois que ele e o outro velhinho - que aproveitou o ensejo e deu uma corridinha para alcançar - passaram da roleta.

Não, o sinal não estava fechado; a luz só ficou vermelha, inclusive, depois que eles subiram.