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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

mais um domingo

PERDOA MEU AMOR
(Casemiro Vieira)

Perdoa meu amor, perdoa
Perdoa eu bem sei que errei
Perdoa meu amor, perdoa
Perdoa se lhe magoei

A minha vida era só melancolia
Até você me aparecer um dia
Como se fosse uma rosa fugidia
Fez dos meus sonhos esta louca fantasia

Ainda sinto o seu perfume encantador
E nos meus lábios os teus beijos sedutores
Perdoa meu amor, perdoa
Perdoa se me tens amor

domingo, 4 de maio de 2008

Isso é impulso.

- Estava esperando por você
- Desde quando?

Ela não saberia responder. Buscou lá no fundo de suas lembranças a última vez que havia pensado nele e não encontrou nenhum resquício de informação. Sua impressão era de que desde que ganhou sua primeira Emília feita de retalhos, tinha aquele nome na cabeça.

- Hein?
- Hã?
- Você disse que estava me esperando.
- Sim, estava.
- E...?
- Não sei. Estou pensando.
- Não precisa pensar.
- Não?
- Não. Você estava me esperando, isso que importa. Vamos?

Ela sabia também que ele diria isso! Assustou-se com tal vidência que sabe lá de onde teria saído. Desde quando via o futuro? Sua vida estava ali, numa calçada de Botafogo, passando como uma seqüência de dejavus em sua cabeça e ela parecia uma idiota. Era ele que a chamava para ir. E ela não entendia muito bem o que estava acontecendo.

- Agora?
- De quanto tempo você precisa?
- Eu já esperei tanto...
- Nem você sabe desde quando. Vamos logo.

Um ônibus parou, era o ônibus que a levaria para o trabalho. Poderia entrar e deixar para depois essa resposta tão estranha e o tempo parou. Toda a rua estava parada: carros, pessoas, pássaros, cães, árvores, ventos, seu relógio também estava parado. Ele estava parado, com a mesma cara que estava quando terminou sua última frase. E só ela se mexia. Poderia dançar, se quisesse, entre os carros, fazer careta para o mundo, que naquele instante, teria virado um grande museu de cera.

Saiu andando e desviou de todas aquelas estátuas estranhas, algumas medonhas no meio da rua, outras discretas no boteco da esquina. Olhou para trás. Ele estava estático, o convite no ar, como um balão de texto de quadrinhos.

Deixou-o parado, sem resposta; ainda não estava preparada.

Voltou, pegou o balão que apontava para a cabeça do rapaz e colocou-o debaixo do braço.

Entrou na Conde de Irajá e tudo voltou ao normal, menos ela.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

... domingo.

Nosso domingo foi festa gelada, foi início; foi término. Foram fogos e foram medos. Pesadelo, esse domingo, véspera da segunda-feira que não precede a terça e muito menos a sexta.

Amanhã, por mais belo que esteja o dia, não tem praia e é necessário esperar a próxima semana. O domingo das coisas, no entanto, dói mais porque as coisas, quando chegam no domingo, não ressurgem 6a. feira - elas não são cíclicas, eu aprendi isso.

As coisas acabam, dóem e o corpo cansa, a casa cai, os olhos molham.