segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Memória de ti

É como se os elementos nunca estivessem alinhados à organização com que se apresentam diante dos meus olhos. Na cabeça, seu olho está entre os peitos e o umbigo. Sai também um dedo, cinco dedos saem da sua orelha. Uma língua desce por seus ombros e talvez essa língua seja minha, que se intrometeu justo onde estou tentando lembrar. As pontas das unhas guardam pouco espaço com a pele e escurecem ao chegar em seu final. São dedos das mãos e dos pés firmes no tornozelo, ou no chão do banheiro. O seu tronco anda sozinho quando chega flutuando pela areia da praia e mostra os ombros, enquanto escondeu a língua em outro lugar. Talvez você seja um monstro disforme e sejam os meus olhos a me enganar, a forjar uma organização que nunca havia existido, até a minha pupila cismar com este trote de quinta categoria. Na cabeça, seu olho também salta dos mamilos, os seus mesmo. Os meus, quando os fecho fazendo escuro, são aqueles olhos, os dos seus mamilos, que abrem e fazem enxergar a bagunça que é a memória de ti. (03/22)

Nenhum comentário:

Postar um comentário